O êxito da Parker Solar Probe, sonda da Nasa que chegou a 1,6 milhão de quilômetros da superfície solar na véspera do último Natal, reforçou o questionamento sobre a necessidade de enviar humanos a missões espaciais de alto risco e custo. À medida que a inteligência artificial (IA) evolui, especialistas argumentam que robôs podem assumir tarefas hoje executadas por astronautas.
Robôs alcançam locais inóspitos
Desde a década de 1960, sondas não tripuladas visitam planetas, asteroides e cometas. Nesse período, aproximadamente 700 pessoas deixaram a Terra, a maioria para voos em órbita ou sub-órbita. Já máquinas como a Parker Solar Probe operam em ambientes inalcançáveis aos seres humanos, enfrentando temperaturas de até 1.000 °C.
Para o astrônomo real do Reino Unido, Martin Rees, os ganhos científicos não justificam o envio de pessoas: “Robôs estão evoluindo rapidamente e a justificativa para o envio de humanos perde força cada vez mais”. O físico Andrew Coates, do University College London, concorda: “Eles vão mais longe, fazem mais coisas e custam menos”.
Limitações e vantagens humanas
A pesquisadora Kelly Weinersmith, da Rice University, destaca que astronautas proporcionam prestígio político e inspiração pública, além de realizar experimentos na Estação Espacial Internacional. Contudo, manter pessoas vivas no espaço é caro e complexo.
Em Marte, por exemplo, rovers controlados da Terra deslocam-se, em média, a 0,16 km/h. “A IA pode superar humanos no xadrez, mas ainda é preciso avaliar se consegue bater nossa capacidade de adaptação em campo”, afirma o cientista planetário Ian Crawford.
IA como parceira de missões tripuladas
A Nasa e outras agências investem em sistemas que aliviam a carga de trabalho dos astronautas. Kiri Wagstaff, ex-cientista do Laboratório de Propulsão a Jato, explica que modelos de linguagem de grande escala exigem potência superior à disponível hoje em sondas interplanetárias. Apesar disso, algoritmos mais leves já permitem operações autônomas: o rover Curiosity identifica alvos rochosos e dispara lasers para análise sem intervenção humana.
Robôs humanoides em teste
Máquinas com forma humana ganham espaço em ambientes orbitais. O Robonaut, enviado à Estação Espacial Internacional em 2011, executa tarefas de manutenção graças a mãos capazes de usar as mesmas ferramentas dos astronautas. Já o Valkyrie, de 1,89 m e 136 kg, foi criado pelo Centro Espacial Johnson para atuar em operações complexas fora da Terra.
Imagem: g1.globo.com
“Vemos os robôs como forma de proteger habitats quando não há tripulação”, diz Shaun Azimi, líder de robótica do centro texano.
Próximos passos para humanos
Embora nenhum ser humano tenha viajado além da órbita terrestre desde 1972, a Nasa pretende retomar pousos na Lua em 2027 pelo programa Artemis. A China também planeja enviar taikonautas à superfície lunar, enquanto a SpaceX, de Elon Musk, fala em colonizar Marte com o foguete Starship e estabelecer 1 milhão de habitantes em 20 anos.
Para Weinersmith, porém, a vida em Marte enfrenta incógnitas biológicas e éticas: “Talvez bebês não possam se desenvolver nesse ambiente”. Já Rees prevê futura convergência entre humanos e máquinas, com modificações genéticas e componentes ciborgues que permitiriam sobreviver em mundos hostis.
Até que essas projeções se concretizem, a exploração deverá seguir em ritmo gradual, combinando a versatilidade humana com a resistência de sistemas robóticos autônomos.
Com informações de g1.globo.com
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