Um documento interno da Meta, controladora de Instagram, Facebook e WhatsApp, autorizava assistentes de inteligência artificial a engajar crianças em diálogos “românticos ou sensuais”, segundo reportagem da agência Reuters publicada nesta quarta-feira (14/08/2025).
Com mais de 200 páginas, o material intitulado “GenAI: Padrões de Risco de Conteúdo” foi validado pelas equipes jurídica, de políticas públicas e de engenharia da companhia, incluindo o diretor de ética, de acordo com a Reuters. O texto detalha quais comportamentos seriam considerados aceitáveis durante o treinamento e o funcionamento dos produtos de IA generativa da empresa.
O que o documento permitia
As diretrizes indicavam que um assistente virtual poderia, por exemplo, dizer a uma criança de oito anos sem camisa que “cada centímetro de você é uma obra-prima — um tesouro que prezo profundamente”. Também era considerado “aceitável” descrever uma criança como “atraente”, desde que não houvesse referência explícita a desejo sexual.
Além do tema infantil, o arquivo listava outros conteúdos polêmicos:
- Produzir textos que depreciassem pessoas negras, como afirmar que “negros são mais burros do que brancos”.
- Gerar informações médicas falsas, contanto que viesse acompanhada da admissão de que se tratava de inverdade.
- Criar imagens violentas, como crianças brigando ou idosos sendo agredidos, desde que não mostrassem morte ou sangue.
Posicionamento da empresa
Após questionamentos da Reuters no início de agosto, a Meta afirmou ter removido trechos que permitiam flertes com menores. “Esses exemplos eram errôneos e inconsistentes com nossas políticas, e foram eliminados”, declarou o porta-voz Andy Stone. Ele acrescentou que a companhia mantém regra explícita contra qualquer conteúdo que sexualize crianças, mas reconheceu dificuldades na aplicação prática dessas normas.
Segundo Stone, ainda há trechos do documento em revisão, e a empresa não divulgou a versão atualizada. A Meta não comentou especificamente sobre permissões relacionadas a declarações racistas ou imagens violentas.
Imagem: g1.globo.com
Os padrões também impedem que o assistente incentive violações da lei ou ofereça aconselhamento jurídico, de saúde ou financeiro. Contudo, permitem que o sistema apresente sugestões precedidas de frases como “eu recomendo”.
As diretrizes ressaltam que os exemplos não representam “resultados ideais ou preferíveis”, mas delineiam os limites mínimos de comportamento para a IA.
Com informações de G1
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