A Human Rights Watch (HRW) acusou o Departamento de Estado dos Estados Unidos de omitir abusos cometidos por governos aliados e de alterar categorias inteiras de violações no relatório anual sobre direitos humanos, divulgado na terça-feira, 12 de agosto de 2025. Segundo a ONG, o documento evita mencionar infrações graves em países como El Salvador, Hungria e Israel, enquanto destaca retrocessos em nações que têm sido alvo de críticas da Casa Branca, entre elas Brasil e África do Sul.
Para Sarah Yager, diretora da HRW em Washington, o relatório “virou arma política”, minimizando ações de regimes considerados próximos da administração de Donald Trump e apagando referências a violações contra mulheres, pessoas LGBTQIA+, pessoas com deficiência e outros grupos.
Brasil
No capítulo dedicado ao Brasil, que reúne dados de 2024, o Departamento de Estado aponta suposta restrição à liberdade de expressão durante investigações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra grupos organizados na internet para atacar o sistema eleitoral. O texto afirma que medidas judiciais teriam “suprimido desproporcionalmente” conteúdos de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, argumento usado por Washington para sancionar o ministro Alexandre de Moraes e sobretaxar parte das exportações brasileiras.
Israel
A HRW critica a ausência, no relatório norte-americano, de referências ao deslocamento forçado de palestinos na Faixa de Gaza, ao uso da fome como arma de guerra e à destruição de infraestrutura essencial no território, incluídos hospitais, escolas e redes de abastecimento de água e energia.
El Salvador
Embora organizações internacionais denunciem prisões arbitrárias, julgamentos em massa e a manutenção de um estado de exceção prolongado, o documento dos EUA sustenta que “não houve relatos confiáveis de violações significativas” dos direitos humanos no país governado por Nayib Bukele, aliado de Trump que recebe imigrantes deportados em troca de apoio financeiro e cooperação em inteligência.
Hungria
Segundo a HRW, o Departamento de Estado também ignora o enfraquecimento de instituições democráticas na Hungria, onde o governo teria imposto restrições severas à sociedade civil, à imprensa independente, a pessoas LGBTQIA+ e a migrantes.
Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br
África do Sul
No caso sul-africano, o relatório dos EUA descreve piora “significativa” depois da sanção, em dezembro de 2024, da Lei de Expropriação que permite desapropriação de propriedades ociosas sem indenização. O governo de Cyril Ramaphosa defende a medida como parte de um esforço para reparar desigualdades herdadas do apartheid.
Publicados anualmente desde 1974, os relatórios do Departamento de Estado deveriam orientar a política externa norte-americana ao avaliar o histórico de violações em cada país. Para a HRW, entretanto, a edição de 2025 “compromete a credibilidade” desse instrumento ao selecionar e omitir informações conforme interesses políticos de Washington.
Com informações de Agência Brasil
Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



