Lula e Trump orientam ministros a resolver impasse sobre tarifas em 30 dias

Robson Alves
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Presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump determinaram que equipes de Brasil e Estados Unidos apresentem, em cerca de 30 dias, uma proposta para solucionar o impasse sobre tarifas e a investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil, informou Lula após encontro na Casa Branca, em Washington.

O chefe do Executivo brasileiro disse que foi acordada a criação de um grupo de trabalho que reunirá o representante do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil com o ministro do Comércio dos EUA, com prazo de aproximadamente um mês para levar uma proposta aos dois presidentes. Lula afirmou que, caso seja necessário, haverá cedências por parte de quem estiver equivocado.

No procedimento investigatório, os Estados Unidos citam práticas que, segundo os norte-americanos, configurariam concorrência desleal, incluindo menções ao Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. O governo brasileiro contesta a legitimidade de medidas unilaterais como a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, por entender que são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Técnicos brasileiros já se reuniram em abril com autoridades norte-americanas para prestar esclarecimentos e refutar as alegações de práticas desleais, conforme informou a Presidência.

Detalhes do encontro

Lula e Trump se encontraram por mais de três horas na Casa Branca, em reunião que incluiu um almoço oferecido pelo presidente norte-americano. A coletiva de imprensa foi realizada após o encontro; Trump publicou em redes sociais que tratou “muitos tópicos”, entre eles comércio e tarifas, e qualificou Lula como um líder dinâmico. Lula afirmou ter saído otimista da conversa.

O presidente brasileiro também disse que o tema do Pix não chegou a ser citado diretamente durante a conversa bilateral.

Cooperação contra o crime organizado

Na entrevista a jornalistas, Lula anunciou que o governo brasileiro lançará um plano de combate ao crime organizado “na semana que vem” e informou que as duas administrações concordaram em reforçar a cooperação para asfixiar financeiramente organizações criminosas transnacionais que atuam em ambos os países. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte americana devem realizar operações conjuntas para bloquear contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico de drogas sintéticas originadas nos EUA.

Mineração e terras raras

Um dos pontos discutidos foi o interesse em investimentos na exploração de minerais críticos e terras raras. Lula informou a Trump sobre a aprovação, em 6 de maio, da lei que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE), proposta que prevê a criação de um comitê para definir os minerais estratégicos do país. O Brasil possui reserva estimada em cerca de 21 milhões de toneladas de terras raras, a segunda maior mapeada após a China, que tem cerca de 44 milhões de toneladas; apenas 25% do território nacional foi mapeado até agora.

Vistos e comitiva

O presidente entregou a Trump uma lista de autoridades brasileiras e familiares que seguem com vistos norte-americanos suspensos, segundo ele, como retaliação relacionada a decisões sobre o julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil. Lula afirmou que algumas restrições foram revertidas, mas que ainda há pendências, citando, entre outros casos, a filha de 10 anos do ministro da Saúde Alexandre Padilha e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Integraram a comitiva brasileira os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores); Wellington César (Justiça e Segurança Pública); Dario Durigan (Fazenda); Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços); Alexandre Silveira (Minas e Energia); e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Contexto das tensões comerciais

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos passou por tensões desde 2025, com a reintrodução de medidas protecionistas pelo governo Trump. O ciclo incluiu, entre outras ações, a imposição de tarifas de 25% sobre aço e alumínio, além de tarifas adicionais aplicadas em abril sob a justificativa de falta de reciprocidade. O Brasil intensificou negociações diplomáticas, acionou a OMC e adotou medidas de reciprocidade para evitar escalada. No fim de 2025 e início deste ano houve recuos parciais por parte dos EUA, inclusive exclusões de produtos e a adoção de uma tarifa global temporária de cerca de 10%, mas setores como aço e alumínio continuam com taxas elevadas.

A comitiva brasileira retornaria a Brasília ainda na noite em que Lula concedeu a entrevista, com previsão de chegada em 8 de janeiro de 2023.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.